Com este post quero contestar a notícia de que o jogo Benfica – Porto tem um impacto económico de 25 milhões de euros para o país, como a imprensa sugere, no vídeo acima, por exemplo. Influenciando-se, deste modo, a percepção dos espectadores. Defendo que tem esse impacto económico para aqueles que lucram esse valor e pouco mais. Não pretendo negar que este jogo cria valor, mas defendo que este valor não relação nenhuma com o que as notícias destacam.

Como breve enquadramento, sublinho que o Estudo refere um Impacto Económico que assinala 25 milhões de euros em consequência do clássico de futebol Benfica – Porto. Este número é dominado por receitas indirectas que, por sua vez, são dominadas pelo sector da restauração. Em resumo: sempre que há futebol algumas pessoas vão jantar fora e quando há um jogo grande muitas pessoas vão jantar fora.

O Benfica – Porto dá para fabricar notas?

Quando ouço falar nestes Estudos de Marketing fico com a ideia de que se houvesse um Benfica-Porto todas as semanas, o país não teria dívidas. E fico com a ideia de que o dinheiro cresce numas árvores cujos frutos só colhemos em dias de futebol. Nos outros dias usamos o dinheiro que temos, mas nos dias de futebol vamos buscar este dinheiro fresquinho. E fico com a ideia de que só há criação de valor quando há muitas pessoas a fazerem a mesma coisa ao mesmo tempo.

Dá vontade de dizer que em economia nada se cria, tudo se transforma, como se dissesse uma novidade. A minha questão é a seguinte. Quando estes Estudos fazem manchetes de jornais a anunciar um impacto económico de 25 milhões, estão a falar de mais alguém para além de quem ganha este dinheiro directamente? Num país onde as pessoas chegam ao fim do mês com traças a voarem das carteiras, dá para pensar que o dinheiro que se gasta numas coisas deixa de ser gasto noutras. E, se assim for, este impacto económico localizado de 25 milhões de euros irá corresponder a perdas aproximadas noutras áreas.

Jogadores aplaudem que as pessoas gastem mais dinheiro neles do que noutras coisas

Eis um exemplo forte

Para dar um exemplo, imaginemos que neste momento, à minha frente, se materializa uma hipótese de eu ir ver o Benfica-Porto. Não é um génio da lâmpada que me faz aparecer no estádio à hora certa. É mais um oportunista da lâmpada ao qual tenho que pagar o que é justo e mais umas tantas alvíssaras.  O dinheiro que eu usaria viria dum sitio bastante real, que é a minha carteira. Dessa forma posso fazer uma lista das coisas que deixaria de fazer com esse dinheiro. No mínimo podemos dizer que faltaria a um jantar de amigos, que deixaria de ir ao cinema ver o filme português São Jorge e que este mês passaria bem sem ir ao Barbeiro.

Desta forma não fica provado que se criou valor. Num e noutro cenário temos portugueses a gastar dinheiro em Portugal, provocando o mesmo impacto económico. A circulação dos gastos apenas se faz por caminhos diferentes, sendo que não há forma de teorizar que ver um jogo de futebol português é mais importante para o país do que ver um filme português. Já o contrário seria mais defensável!

Nos dias de futebol perco dinheiro, fico sem clientes só porque não temos televisão!

Eis um exemplo suave

Vamos esquecer a ideia de que vou ver o Benfica – Porto ao Estádio e concentrarmos-nos na ideia que vou ver o jogo a uma cervejaria e que amanhã vou comprar o jornal desportivo porque a minha equipa ganhou (pensamento positivo, vamos lá equipa!).

Pronto, já vimos quem ganhou o concurso do impacto económico. Quem o perdeu? O restaurante italiano sem Benfica TV onde iria amanhã e o jornal generalista que compro habitualmente excepto nos dias em que compro outro jornal, porque mantenho a coerência das minhas despesas: um restaurante, qualquer que seja e um jornal, qualquer que seja.

Afinal, o que seria uma discussão mais interessante?

Discutir directamente como cada actividade gera valor seria interessante. Podemos tentar catalogar indústrias temáticas nas quais a bilheteira do clube e a cervejaria estariam incluídas. Seria a Indústria das Actividades de Amigos, por exemplo. E podemos imaginar esta Indústria em concorrência com a Indústria dos Casais, onde encontraríamos restaurantes italianos com luzes baixas e cinemas com predilecção por filmes românticos.

E, ainda assim, o Impacto Económico seria uma questão mais pertinente, no sentido que seria possível assinalar uma Indústria que ganha e outra que perde. E, pelo menos, não estaríamos a vender a ideia corriqueira de que o futebol faz milagres.

Share This
Subscreva a nossa Newsletter

Subscreva a nossa Newsletter

Receba as actualizações para o sucesso das PMEs

Obrigado!